Conduzi o melhor Renault da minha vida – o Mégane GT Line: um parque de diversões sobre rodas. Uma delícia. Gostei tanto que nem perguntei o preço para não cair da tentação do consumismo hedonista.

O leitor desta aventura de meia dúzia de anos saberá o seguinte sobre este escriba: a) adora conduzir mas pouco percebe de carros; b) tem um fraco descarado por cabrios; c) vem duma família onde todos os coches, um após outro, foram Renault; d) gosta de elencar. Pois, agora, conduzi o melhor Renault da minha vida – o Mégane GT Line: um parque de diversões sobre rodas; de caixa rápida e eficaz, posição de condução perfeitamente equilibrada, conforto até atrás, aguerrido nas curvas, ágil em qualquer piso, com um rácio de consumo/performance que me pareceu deslumbrante, mas talvez seja do gasóleo. Que provavelmente bebi. E agora não me lembro. Enfim, uma delícia com capota de vidro mas sem telhados do mesmo material. Gostei tanto que nem perguntei o preço para não cair da tentação do consumismo hedonista. É que este carro satisfaz mais caprichos do que uma gueixa treinada. O que me leva à próxima lista, esta sob a forma interrogativa: a) por que não confiar na responsabilidade do condutor e adoptar auto-estradas sem limite de velocidade, como os teutónicos?; b) por que não se pode estacionar um carro sem capota durante dois ou três dias sem que um tuga ressabiado atire lá para dentro parte do lixo que faz neste planeta incauto?; c) como é que há gente capaz de acelerar e fugir nas barbas dos polícias em plena operação Stop?; d) por que diabo as portagens não vêm acompanhadas dum mísero caixote do lixo que evite os cemitérios de papelinhos brancos?; e) como é que, há meia vida atrás, quando cheguei à capital, caloirinho da faculdade, o litro de gasolina custava 100 escudos?!; f) quão fascinante é assistir, amiúde, a tantos cavalos juntos conduzidos por um burro?; g) afinal, para que serve o tuning (e onde é que eles vão arranjar guita para sustentar aquilo)?; i) desde quando é que os tipos da Inspecção começaram a considerar uma massiva cagadela de pombo no pára-brisas motivo para chumbo?; j) por que não dar nova vida aos antigos pelourinhos e neles açoitar as pessoas que não fazem pisca?; k) não há raio de maneira de ser inventada uma forma (muito) mais prática de pagar as malditas portagens electrónicas, raios e coriscos, co’a breca, chiça penico?! E assim rola a vida, desde o primeiro Renault, o Clio 1.2 da minha adolescência. O tempo não faz marcha-atrás mas compensa com curvas imprevistas e rectas de levantar voo. Convém portanto que se ande bem montado.

 

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