Recorri à generosidade do Autohoje para um mimo particular, tendo levado os meus pais num X4 xDrive 35i.

É num cósmico pestanejar de olho que passamos da época em que os nossos progenitores eram arraçados de super-heróis para o tempo, subtil mas imparável, em que o início da decadência se apodera deles. Essa inexorabilidade chamada envelhecimento, que toca a todos, inapelável como os impostos. Ainda por cima sendo o escriba açoriano, e estando lá os pais, os saltos de tempo entre cada nova visita têm o condão de acentuar mais os vincos súbitos e as rugas recém-nascidas. Desta vez foram eles a fazer a viagem, questões de saúde e rotinas médicas felizmente sob controlo, e recorri à generosidade do Autohoje para um mimo particular.

Pretendo levá-los a conhecer a Invicta, naquilo que será um dia épico de estrada. Explico o desejo de ir “bem montado”, como sói dizer-se na gíria automobilística. A réplica pronta veio na forma dum novíssimo BMW X4, 306 cavalos, XDrive35i, enfim, nenhum esforço foi poupado. Melhor montado do que isto só se fizesse cinema porno, e não me parece que essa opção profissional colhesse grande apoio materno.

Lá arrancámos às 10 da manhã dum domingo de outono inusitadamente solarengo (São Pedro decerto tocado pelo convívio familiar), muito bem sentados em direcção ao Porto sentido. Tenho receio de dizer em quanto tempo fiz a jornada de 300 kms, por motivos que poderiam interessar às autoridades, mas graças a Deus pelo apoio parental nas portagens (mesmo sendo um Classe 1). Cabe acrescentar o seguinte: conduzam alemão. Ponto. Os teutónicos sabem da poda como ninguém. E comam italiano. E falem inglês. E pensem americano. E insultem francês. E amem Portugal.

Aliados, Baixa, Casa da Música, extraordinária Fundação Serralves, Matosinhos, descida até Aveiro para ainda admirar a luz nos canais da Veneza portuguesa ao lusco-fusco, novo tirinho para jantar em Coimbra carregadinha de pinguins (vulgo estudantes trajados), nova partida até à capital, já noite escurinha como alcatrão acabado de deitar. Comenta o meu pai que teria dado para ir até Madrid e ainda passear a valer pela capital de nuestros hermanos. Acrescenta a minha mãe que finalmente pode dizer que andou de BMW. Anota o escriba que, enquanto durou este excelso deslumbre rodoviário, o tempo não correu e ninguém caminhou para a velhice. Filho e pais foram os três iguais na idade por um dia, crianças satisfeitas embaladas por um brinquedo de sonho num país de maravilhas - onde infelizmente maltratam as alices. Mas não falemos de política, que apesar de alemão e possuindo grande bagageira, Merkel não mora aqui.

 

Assine Já

Edição nº 1460
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes