Poderá achar estranho o caro leitor não encontrar nesta página a mui nobre e habitual crónica de Luís Filipe Borges.

Luís Filipe Borges partiu. Não partiu para o outro mundo, mas foi para um lugar que até é capaz de ser bem melhor. Está em Bali, de férias, onde conheceu uma massagista indonésia por quem se apaixonou loucamente. Conta o Luís que foi amor à primeira vista ou não tivesse ela um passado parecido com o dele: também já foi homem. Mas a vida é assim. Pode ser que um dia, Luís Filipe Borges possa constituir família e viajar no novo Volvo XC 60, com uma mala grande. Por grande entenda-se que cabe lá dentro um Raminhos. É assim que meço o tamanho das malas: um Raminhos, as minhas filhas, o Fernando Mendes – este um tipo de mala que só existe em monovolumes. Melhor mesmo só o nível de segurança do XC60 que roça o ridículo.

Entenda-se, ridículo, no bom sentido. Com as habituais opções de segurança como o sistema BLIS – um aviso luminoso para carros em ângulo morto – outro para mudança de faixa não sinalizada, sensores de estacionamento, ativação automática de máximos e agora até com um sistema para detecção de ciclistas! No retrovisor uma bússola digital para orientação. Já há alguns anos que os suecos da Volvo nos habituaram a sistemas de segurança quase perfeitos. Na verdade, grande parte dos leitores ainda é do tempo em que nem havia cintos nos bancos de trás e cada viagem por uma estrada nacional era um dois em um: uma seca de quatro horas, mas ao mesmo tempo uma montanha russa grátis. Tenho cicatrizes das cabeçadas que dei ao meu irmão em curvas mais apertadas nas idas para o Alentejo. Havia apenas um espelho lateral (o do condutor). E se não houvesse também não vinha mal ao mundo, o pai bem podia gritar “vê lá se vem aí alguém”. No fundo, o sistema de segurança éramos todos nós, o GPS era a mãe ou a sogra. E continua a ser. Não é à toa que a voz da maior parte dos sistemas é feminina. A única sugestão que poderia tornar o GPS mais real era se nos enganássemos no caminho e a voz de comando dissesse: “eu bem te avisei”.

Agora, as marcas, e neste caso específico a Volvo, apostam em sistemas complexos de infotainment que nem precisa de touchscreen (é operado através de um teclado numérico), com um belo sistema de áudio, integração de apps e até navegação web. Internet! Aplicações! Música! Quando no nosso tempo a diversão era simples, o pai arrotava e nós riamos.

 

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