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Jogo da penhora

Nos últimos dias muito se tem falado em dívidas e penhoras. A começar pela descoberta de um buraco de 11 milhões de dívidas dos utilizadores espanhóis que não pagam as portagens virtuais, até à transferência dos deveres de cobrança das concessionárias para a Autoridade Tributária. Este é o aspeto que mais nos deve preocupar: os serviços de cobranças das finanças fazem o trabalho de cobrança de entidades privadas. A lamentável promiscuidade desta relação ajuda a compreender os contratos lesa-pátria que os sucessivos governos teimam em assinar, aceitar e manter com as concessionárias, ao ponto destas terem o poder de mandar a Autoridade Tributária cobrar as dívidas, atiçando os funcionários do fisco contra os contribuintes conseguindo o milagre financeiro de transformar dívidas de 20 euros em montantes de 24 mil euros.

Nesta edição vai ficar a conhecer esta história da penhora galopante e outros detalhes deste “negócio” que o pode apanhar desprevenido e causar-lhe danos avultados no orçamento. E garanto-lhe que vão desejar muito que se esqueça de pagar. Senão veja como funciona o “jogo da penhora”. Se não pagar dentro dos prazos e não responder às notificações as percentagens começam a somar rapidamente. Isto porque o bolo tem de ser dividido por vários comensais: Autoridade Tributária fica com 40% do que for cobrado (afinal é quem corre atrás do prevaricador), Estradas de Portugal com mais 20%, aquele Instituto das Infraestruturas Rodoviárias que ninguém sabe para que serve e onde ninguém atende os telefones, aparece de mão estendida para receber outros 20% e o mandante da penhora, ou seja, a concessionária fica com os restantes 20%. Percebeu agora porque as coimas têm de ser altas e rápidas a somar?

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