Sandro Mêda
Director

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Perdidos no espaço

Andamos às voltas passando ao lado da rua a que queremos chegar mas para a qual apenas se pode entrar pelo outro extremo; temos que subir para podermos descer e gastamos gasolina para baixo para chegarmos lá acima; somos obrigados a virar à direita para, passada meia hora, chegarmos à esquina que, há 30 minutos, estava a uma dúzia de metros à nossa esquerda; discutimos, centímetro a centímetro, a entrada no entroncamento que é servido, simultaneamente, por um Stop, num lado, e semáforo, no outro: quando está vermelho não se entra porque o caminho fica atravancado e quando está verde também não por não temos prioridade... Este é o estado atual do trânsito na Rotunda do Marquês, em Lisboa, quatro meses depois e com alguns ajustamentos no entretanto. O caos é uma constante a qualquer hora do dia e o transtorno que causa parece estar longe de qualquer benefício, nomeadamente a suposta redução nas emissões poluentes.

 Pior ainda, a rotunda é um diorama da política que tem condicionado o automóvel nos últimos anos, igualmente tão ou mais caótica e com fins muito duvidosos:  o ISV criado pelo bando Sócrates - que assustadoramente começa a ressurgir dos buracos - caiu para metade apesar de todos os aumentos; e a inação do bando Passos, que parece ter desviado o negócio das obras à fartazana para a área dos estudos e dos pareceres sem fim. O PS criou a negociata dos pórticos nas portagens - que só em eletricidade devem consumir o equivalente a metade das receitas - e o PSD diz agora que “acha” que aquilo não resulta e que se calhar é melhor tornar obrigatória a Via Verde! E com essa desculpa lá introduz novamente a tese “um identificador para cada carro” e o tema “diz-me onde estás e cobrar-te-ei o que me apetece”... Os perdidos no espaço, somos nós.

 

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