Oportunidade do desespero

O negócio automóvel na China não é o “negócio da China” que muitos esperavam. O sistema de parcerias “fifty/fifty”, a relação entre o investimento e o retorno, a tipologia dos veículos e a filosofia do “muito e barato” traduz-se num retorno que muitos executivos rotulam de duvidoso e moroso. Os mercados ocidentais, mais consolidados, maduros e transparentes, são os que dão lucro. Mas apenas o americano está em alta, e muito à custa das pick-up que nenhuma marca europeia produz. Resta, portanto, o, em tempos, rentável mercado doméstico, o europeu. E neste, os bips de alarme que já soam há meses (em alguns países, como o nosso, há anos) passaram a estridentes sirenes.

No primeiro mês completo de 2013, dos 27 do velho continente, apenas sete tiveram resultados positivos - já incluindo a falaciosa subida de 0,8 por cento em Portugal - e apenas o Reino Unido é um mercado com volume decente. Nos restantes 20, que caíram entre 1,2 e 34 por cento, incluem-se os colossos Alemanha, França e Itália... sim, os que produzem os automóveis que todos querem e poucos podem comprar. Com a indústria automóvel a acumular excedentes que devem obrigatoriamente dar lugar a novidades, o desespero dos produtores traduz-se nas oportunidades dos consumidores. A todas as iniciativas que exaustivamente reunimos para esta edição, juntam-se outras que, por estratégia ou decoro, nem chegam a ser tornadas públicas: descontos que, em alguns casos, mais parecem as liquidações dos pronto-a-vestir em fim de estação. E se calhar é isso que a indústria automóvel precisa: de uma transformação radical de estação que a leve de um inverno, a caminho do polar, para um agitado verão tropical. “Só” falta a capacidade para transformar a Europa no mercado único que nunca foi!

Assine Já

Edição nº 1460
Já nas bancas

Digital Papel

Top

Os mais recentes