Inteligência e esperteza

Até há dois anos a Lamborghini manteve o discurso inaugurado em 1998, quando foi comprada pela VW: um superdesportivo não precisa de ser espalhafatoso, demasiado rebuscado ou exacerbado ao detalhe para ser eficiente. E, principalmente se for italiano, deverá manter a elegância do desenho puramente traçado pelo vento, pela performance e pela simplicidade. A teoria deu frutos ao longo dos anos, com resultados positivos, mas nunca se mostrou suficiente para impulsionar o salto para o lucro obsceno que é, obviamente, a missão principal do Veneno, o extravagante Lamborghini revelado nesta edição do Salão de Genebra.

Com as provas que todos conhecem, um dos mais elegantes presidentes da indústria automóvel, Stephan Winkelmann, terá chegado à conclusão que a elegância é demasiado lenta na corrida ao lucro e, ao mesmo tempo, que um carro de 300 mil euros como o Aventador facilmente poderia multiplicar por dez a faturação de cada unidade se o transformasse em algo que não passe despercebido nem numa noite de chuva e nevoeiro... tal como os seus maiores clientes e embaixadores gostam. E isto é inteligência.

A esperteza está em quase todas as outras marcas: uma inteligência superficial e momentânea, mas fundamental, para enfrentar tempos de incerteza prolongada com medidas imediatas mas pouco comprometedoras. É este ambiente que se vive em Genebra: novidades, só as há muito planeadas, e, ao lado delas, versões de versões, variantes e retoques de projetos conhecidos. O tempo de crise não aconselha a grandes riscos, mas também não pode matar a paixão automóvel. Adotar um conservadorismo entediante ou entrar num marasmo de morte dificilmente resolverá alguma coisa. É a isso que se assiste por lá. E o que se devia viver por cá.

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