O exemplo vem de baixo

Aos trimestres de cada vez, um simples assunto que define a utilização de um autocolante e o estacionamento de carros a gás é adiado sucessivamente, sublinhando as provas de incompetência, desleixo e incapacidade de gerir a coisa e o interesse público. Em junho saiu o decreto lei que, basicamente, resolvia os dois maiores inconvenientes das viaturas GPL: o rótulo azul colado na carroçaria e a proibição de estacionamento em parques fechados. O presidente mandou o decreto para trás porque não entendia o sentido jurídico. Fez-se outro, meses depois, que foi aprovado passadas muitas luas; e agora, que estávamos dependentes de uma portaria que colocaria por escrito o que já tantos sabem de cor, deixaram caducar o longo prazo de 90 dias, remetendo-nos, 11 meses depois, de volta à indefinição.

Mas há mais. Quando uma lei ou um decreto nascem idiotas e viciadas - à imagem dos seus criadores -, o seu sentido ridículo só poderá agravar-se com o passar do tempo. A regra imbecil do 1,10m que define a classe de portagens em Portugal desceu agora, imagine-se, ao segmento dos utilitários. O desenho do Opel Mokka e Chevrolet Trax, traçado para ser moderno, prático, útil e menos agressivo para os peões em caso de atropelamento, traduz-se, cá, no pagamento em dobro das tarifas aplicadas nas autoestradas. Sim, são Classe 2.

Tiremos da parte para o todo para percebermos no que estamos metidos. Esta incompetência, injustiça, discriminação e contornos dúbios de interesses gananciosos face a coisas tão simples como uma portagem ou um autocolante, explicam os resultados de soluções que requereriam mentes muito mais complexas. O exemplo nota-se de baixo. Não se pode esperar que quem não consegue resolver contas de mercearia, saiba, sequer, quem foi Fermat.

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