Estes são três dos familiares para quem dá real valor ao dinheiro e não se preocupa em ter um emblema “premium” colado no capot. O que não quer dizer que se contente com pouco. Espaço, equipamento, economia e conforto são prioridades.

Nem todos os compradores dão importância a ter um emblema “premium” na grelha da frente do seu automóvel. Muitos preferem dar prioridade a valores mais práticos, como a habitabilidade, a facilidade de utilização e o chamado “value for money.” Ou seja, pagar um preço justo por um modelo que lhe ofereça, em troca, o máximo das características que lhe interessam mais. São compradores muito exigentes, que analisam ao detalhe cada proposta, antes de fechar negócio. Para eles, estes três familiares compactos serão certamente objeto de estudo, por proporem exatamente o que procuram. A novidade é o Nissan Pulsar, que traz a marca de volta ao segmento muitos anos depois de ter parado a produção do Almera e sem que o Tiida tenha deixado boas memórias. Aqui, está presente na versão 1.5 dCi de 110 cv no nível de equipamento mais completo, o Tekna. Um dos seus alvos é o Toyota Auris, na versão 1.4 D-4D de 90 cv e com o nível de equipamento Comfort mais o Pack Sport. Como representante europeu desta filosofia “value for money” nada melhor do que um Skoda. Neste caso um Rapid Spaceback, na versão 1.6 TDI de 105 cv.

Apesar de serem modelos novos ou recentes, nenhum utiliza plataformas realmente novas, para não fazer aumentar os custos. O Pulsar parte da plataforma do Note e Micra e acrescenta-lhe componentes da suspensão e direção do Mégane (que faz parte da aliança Renault/Nissan), enquanto o Rapid Spaceback emprega uma versão “esticada” da plataforma usada pelo Fabia e Polo. Por seu lado, o Auris assenta numa evolução profunda da plataforma do seu antecessor. Que consequência, para o condutor, poderá ter esta estratégia é o que vamos ver.

Muitas ajudas

A versão Tekna do Pulsar inclui um conjunto de ajudas à condução que a marca chama escudo de proteção e que inclui aviso de saída involuntária de faixa, monitor de ângulo morto, deteção de objetos em movimento e ainda o sistema anti colisão, com travagem automática. Uma vantagem importante. Todos os sistemas funcionam bastante bem, os três primeiros dependem de uma só câmara, colocada sobre a matrícula traseira.

Olhando para as carroçarias, pintura e portas, salta à vista o detalhe dos aros das portas do Pulsar, quando se abrem e se vê as soldaduras, algo que não é visível no Toyota e nem sequer existe no Skoda, por ter um processo de construção diverso. Mas a verdade é que a marca europeia se fica pela garantia mínima de dois anos, enquanto as japonesas oferecem três anos (Nissan) e cinco anos (Toyota), o que diz alguma coisa acerca da confiança de cada uma.

Muito espaço

Olhando para as três malas destes três modelos, percebe-se que o acesso é bom em todas, mas que o rebatimento das costas do banco traseiro do Pulsar cria um degrau para o fundo. No caso do Auris, este degrau é menor e pode ser anulado com o piso regulável em duas alturas, para obter um plano de carga nivelado. Quanto ao Rapid Spaceback, apesar de partir da plataforma mais pequena, o facto é que oferece o maior volume e ainda um útil tapete reversível, com borracha de um lado e alcatifa, do outro. Se o transporte de bagagens está facilitado, nos três modelos, que dizer dos habitáculos?

As nossas medições dos interiores revelaram alguns factos curiosos. O Skoda tem o maior espaço para as pernas nos lugares de trás, suficiente para cruzar as pernas e ler um jornal. No Pulsar, a diferença de 30 mm pouco se sente, mas os 40 mm a mais, na largura, tornam mais fácil levar três adultos, que no Skoda. O Auris tem um pouco menos de espaço para as pernas e isso percebe-se assim que se passa de um dos outros para os bancos traseiros do Toyota, que ganha, depois, uma vantagem mínima no número e facilidade de utilização dos porta-objetos disponíveis nos lugares da frente. E é nesta parte do habitáculo que a atenção se vira para a qualidade, claramente superior no Auris, apesar de a ergonomia não ser perfeita - o relógio está quase à frente do passageiro. No Pulsar há apenas uma cobertura em material macio no topo do tablier e no Rapid, nem isso, mas o Skoda compensa com uma montagem que se sugere mais justa.

Tal qual estão presentes neste comparativo, o Pulsar Tekna leva uma vantagem considerável em termos de equipamento, ao incluir, entre outros, o sistema de navegação, faróis de LED, bancos em pele e aquecidos. O Auris Comfort, com Pack Sport e o Skoda Rapid Spaceback Elegance, com o Pack Spaceback Plus (teto panorâmico em vidro e jantes de 17’’) e o Pack Dymanic ficam-se por um equipamento razoável mas com falhas. No Skoda falta um monitor central, por exemplo. Que reflexos tem esta relação de forças no preço, é outra história, que veremos no final deste comparativo.

Ligar e andar

Três motores Diesel, de três cilindradas e três potências distintas, mostram as suas diferenças assim que se rodam as chaves de ignição. O Skoda tem claramente a pior insonorização e o Toyota está no outro extremo, quase não se ouvindo, deixando o Nissan algures pelo meio. Ao volante, o condutor vai muito bem sentado no Auris, que tem os bancos com mais apoio lateral e no Rapid, que tem a coluna de direção melhor alinhada com o condutor. Ao Pulsar falta apoio aos bancos, que são demasiado planos. Mas são os dois japoneses que honram a tradição de facilidade de condução, com comandos muito fáceis de usar, seja direção, caixa ou pedais, todos a exigir pouco esforço. No Skoda, é a caixa de velocidades (a única de cinco, aqui) que se mostra mais imprecisa e o jogo com os pedais, o menos fluido. Nos primeiros metros é fácil perceber que, apesar de todos montarem jantes de 17’’, os diferentes perfis dos pneus ditam o maior desconforto do Skoda, suplantado pelo Auris e pelo Pulsar, que tem a medida de pneus mais adequada num familiar, para quem não quer abdicar das jantes de 17’’. Em autoestrada, nenhum mostra problemas de sensibilidade direcional, mas é o motor do Skoda que se volta a fazer ouvir. Passando para estradas nacionais, o Skoda começa por agradar pela precisão da direção mas basta surgirem as primeiras bossas ou irregularidades para ver que a suspensão está mal amortecida. O Skoda tem demasiados movimentos verticais parasitas, que lhe retiram até alguma tração. Em contrapartida, sem serem, nem de perto nem de longe, modelos divertidos de conduzir, a verdade é que os japoneses encaixam com competência as maiores barbaridades que o condutor possa fazer. Muito eficazes a curvar, sempre sem causar a mínima surpresa, com os ESP a entrar em ação a tempo e horas e com boas maneiras.

Cronómetro e bomba

A sessão de medições do Autohoje para este comparativo estabeleceu uma hierarquia clara nas acelerações, com o Skoda a superar o Nissan e este a ficar à frente do Toyota. O Pulsar acaba por ser penalizado pelo seu peso, 117 kg acima dos outros dois. Já nas recuperações, são as caixas de seis velocidades dos japoneses o trunfo que lhes permite ficar à frente do modelo da República Checa. Na exigente travagem a fundo, a partir dos 120 km/h lançados, o Auris precisa de mais dois metros que os outros para se imobilizar. Quanto aos consumos, a vitória vai direita para o Pulsar, que tem a melhor média, os melhores valores em estrada e o segundo melhor em cidade, deixando o percurso citadino para o Auris. O Skoda fica sempre um pouco atrás, nos consumos, responsabilidade da caixa de cinco.

Quanto a questões de dinheiro, começamos pela manutenção. Os intervalos do Auris são metade dos outros mas a Toyota está a oferecer as primeiras três intervenções. Depois, nas emissões, o Pulsar é o único a ficar abaixo dos 100 g/litro e nos valores de retoma, Toyota e Skoda situam-se em campos opostos, deixando a Nissan pelo meio.

Resta falar dos preços. O Pulsar Tekna oferece uma boa relação preço/equipamento mas não será a mais procurada pelos compradores e o seu valor final penaliza-o, neste comparativo. Um N-Tec será mais do que suficiente e poupa-se 1750 euros. A Skoda tem um preço justo, para o Rapid Spaceback Elegance, mas é a Toyota que oferece o melhor negócio, numa promoção para o Comfort+Pack Sport que se prolonga desde o lançamento.

 

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