Ao fim de dez anos, a Fiat volta ao importante mercado das carrinhas do segmento “C” com a Tipo SW. Mas como se posiciona face a uma das melhores do segmento, a Astra ST e uma das mais racionais, a Auris TS? Resposta nas próximas páginas.

Quem ainda se lembra da Stilo Multiwagon? Foi a última carrinha da Fiat no segmento mais importante na Europa, o “C” dos familiares compactos, que terminou a sua produção em 2007. De então para cá, as prioridades da marca italiana têm sido outras, mas agora voltou, recuperando um nome conhecido de um passado ainda mais longínquo, o Tipo que, curiosamente, nunca teve uma versão carrinha na sua geração original.

Hoje, a nova Tipo SW encontra um segmento repleto de oferta e com uma qualidade média muito respeitável. Para avaliar o novo produto da Fiat, decidimos compará-la com a Opel Astra ST, uma das melhores propostas do mercado e a Toyota Auris TS, uma das mais racionais. À partida, a Tipo SW parte com a vantagem da potência, com o seu motor 1.6 Multijet a debitar 120 cv, contra os 110 cv, do motor Opel 1.6 CDTI e os 90 cv do motor Toyota 1.4 D-4D. Mas, com a Fiat a conseguir manter o preço ao nível das rivais ou até um pouco mais baixo.

A Astra ensaiada estava equipada com o pacote Opel Eye, que inclui alerta de colisão com travagem ativa, manutenção de faixa ativa, reconhecimento de sinais e máximos automáticos, um conjunto que incrementa muito a segurança ativa e que faz a diferença para as outras duas carrinhas. A Fiat tem apenas o primeiro item e a Auris ensaiada nem isso.

Olhando para a montagem e pintura da carroçaria, nota-se que a Opel é ligeiramente mais cuidada, mas é a Toyota que oferece mais garantia geral, cinco anos contra os obrigatórios dois das outras.

Quanto às malas, os números de capacidade dizem que a Tipo ganha à Astra por 10 litros e à Auris por 20 litros, mas não é tudo. A Fiat tem um fundo falso nivelado com a boca de carga e um volumoso alçapão por baixo. A Opel tem abertura elétrica da tampa e local para guardar a chapeleira sob o piso e a Toyota tem alavancas para rebater o banco traseiro a partir da mala.

Muito espaço

Se há aspeto em que as carrinhas deste segmento têm evoluído é no espaço para passageiros, sobretudo no banco traseiro. Comparando as nossas medições de largura, altura e comprimento concluímos que a Astra se superioriza às restantes. A Tipo tem melhor comprimento para pernas que a Auris, mas esta é melhor na largura. Quanto à versatilidade do habitáculo, a Fiat tem mais porta-objetos, um deles no centro da consola particularmente útil, o que facilita a utilização no dia-a-dia. Já na questão da qualidade se percebe que a Fiat fez poupanças nesta área, sobretudo quando se olha para o plástico duro e luzidio que cobre as portas, a consola central e a parte baixa do tablier. A Toyota está à frente da Fiat neste aspeto, com um aspeto mais homogéneo nos plásticos, mas sem chegar ao nível da Opel, que investiu claramente nesta área para se posicionar como uma das melhores no segmento.

Também no equipamento, a unidade Astra ensaiada estava mais equipada que as outras, incluindo travão de mão elétrico, estacionamento automático, faróis com matriz de LED e o sistema de assistência On Star, que disponibiliza um centro de atendimento tanto para situações de turismo como de emergência. A Auris não tem nada disto, mas superioriza-se à Tipo por ter arranque sem chave, luzes de dia e farolins em LED. Tanto a Fiat como a Toyota disponibilizam acesso a aplicações específicas, através dos seus sistemas de informação e entretenimento. O da Fiat merece destaque por ter uma superfície antirreflexo de muito boa qualidade.

Três atitudes dinâmicas

Ao volante de cada uma destas carrinhas, logo se percebem as suas diferentes atitudes. A Auris tem uma boa posição de condução, confortável, mas com pouco ajuste do alcance do volante. Na Tipo, são os pedais que não estão perfeitamente enquadrados e o volante que é grande, deixando para a Astra a melhor posição de condução, confortável, com bom apoio lateral e com a alavanca da caixa e pedais na melhor posição.

Motores em marcha e são notórias as diferenças na insonorização, com a Fiat a destacar-se pela negativa, sendo aquela que mais ruído transmite ao habitáculo. Na condução citadina, a Auris acaba por ser uma relativa surpresa, por ter a direção, caixa e pedais com o peso certo e o motor muito disponível a baixos regimes, devido às relações de caixa curtas. A Tipo tem função “city” que torna a direção mais assistida a baixa velocidade, mas a caixa não é tão suave como a da Toyota, e no caso da Astra, nos arranques a baixa rotação, é fácil deixar o motor “ir abaixo.” Continuando em cidade, no mau piso, a Auris mostra-se confortável, mesmo em ruas muito estragadas, a Astra é um pouco mais firme, mas sem que isso prejudique realmente o conforto, ao contrário do que se passa na Tipo, que é realmente menos tolerante para com o mau piso.

No que respeita ao comportamento dinâmico, a Auris tem os pneus com menor aderência, por isso entra em subviragem mais cedo e depois o acerto da suspensão mostra-se inerte, não lhe interessando divertir o condutor. A direção também não é um exemplo de tato, tal como acontece na Tipo. Na Fiat, a escolha de pneus sobredotados para a potência (Pirelli PZero Nero) dá-lhe muita aderência, mas não conseguem dar grande fluidez na maneira como o carro muda de apoio, em encadeados de curvas. Neste aspeto, a Astra é claramente a melhor, com uma direção muito precisa, boa aderência e até uma certa dose de agilidade que introduz um fator de diversão na condução mais rápida. O motor é também aquele que tem a resposta mais linear, não sendo o mais potente como de resto ficou claro na sessão de medições do Autohoje. Nas acelerações, o motor Fiat impôs a sua lei, face à Opel e à Toyota, mais notável ainda nas recuperações. Quanto às travagens, a vantagem vai para a Opel.

Os custos

Nas medições de consumos, obtivemos valores melhores para a Astra, a única a ficar abaixo dos cinco litros de média ponderada e idênticos para a Tipo e Auris, que gastam ligeiramente mais.

Continuando naquilo que custa dinheiro, as manutenções da Fiat são mais frequentes que as outras e a Toyota ainda oferece um plano de manutenção. Nas emissões poluentes anunciadas, a única que fica acima dos 100 g/km de CO2 é a Auris e nos valores de retoma, a Fiat ainda terá que recuperar o tempo perdido, para chegar aos patamares das outras.

Finalmente, nos preços e contabilizando descontos na Opel e na Toyota, é óbvio concluir que a vantagem da Opel no equipamento se faz pagar num preço mais alto. Mas a diferença não é suficiente para lhe retirar uma vitória mais do que merecida. A Fiat Tipo SW obtém um  bom resultado, superando a Auris TS, devido ao motor mais potente. Mas a Toyota continua a ter argumentos sólidos.

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