Os SUV mantêm o seu papel de protagonistas no mercado nacional. São os preferidos dos portugueses num segmento que cresce na popularidade, na tecnologia, na estética e... também no preço. A chegada do VW Tiguan com motor 1.6 TDI “obrigou” a um confronto com a nova referência europeia do segmento, o novo Peugeot 3008 1.6 BlueHDI e um dos mais apelativos SUV coreanos do momento, o Hyundai Tucson 1.7 CRDi.

No seio de um segmento que já representa uma boa parte do mercado automóvel nacional, o Nissan Qashqai ainda é a referência em vendas, nem que seja pelo nome, mas o segmento dos SUV compactos tem sabido multiplicar-se e evoluir. A mais recente proposta é o VW Tiguan equipado com motor 1.6 TDI, uma estreia deste modelo nos motores mais pequenos, já que a geração anterior tinha como teto mínimo o motor 2.0 TDI, ainda que numa versão com 110 cv. Para o defrontar nada melhor que escolher dois dos mais apelativos modelos do momento: o Peugeot 3008 1.6 BlueHDI de 120 cv e o Hyundai Tucson 1.7 CRDi de 115 cv, o melhor entre os não europeus. Para além da estética mais moderna, que pretende cativar todos os gostos seduzidos pela agressividade e indução aventureira, o novo Tiguan tem sob o capot um trunfo chamado 1.6 TDI, um propulsor que tem feito o grupo VW ganhar vendas e destacar-se entre as demais. É poupado e um dos mais enérgicos nesta faixa de cilindrada, oferecendo 115 cv. Nesta nova geração, apresenta-se com um nível de equipamento adequado ao mercado nacional, o Confortline que custa pouco mais de 35 mil euros e conta com uma lista de equipamento que não esquece nada do que é imprescindível num automóvel moderno. No primeiro item pontuado, o da segurança, todos se orgulham de trazer os já habituais seis airbags ou o ESP, mas agora há muito mais e tudo praticamente de série. Os três incluem leitor de sinais de trânsito, aviso de mudança involuntária de faixa de rodagem, no caso do Peugeot e do VW associado ao cruise control ativo no primeiro e adaptativo no segundo, e ao sistema de manutenção na faixa. Aviso de colisão frontal também no Peugeot e VW e avisador de ângulo morto no Hyundai e no Peugeot. O modelo coreano destaca-se na garantia ao propor cinco anos sem limite de quilómetros, enquanto VW e Peugeot se ficam pelos dois anos. No modelo alemão também não há limite de quilómetros.

Mala e habitáculo

Na bagageira vence o Peugeot... e o VW. Os 520 litros do modelo francês são o maior volume com a vantagem de possuir o portão da bagageira elétrico ou a possibilidade de o abrir passando o pé por baixo do para-choques. O Hyundai fica-se pelos 513 litros, um valor igualmente familiar, enquanto o VW anuncia 502 litros mas oferece a possibilidade de regular longitudinalmente o banco traseiro, o que permite aumentar o espaço para malas até aos 615 litros, abdicando de alguma amplitude no habitáculo. É possível regular também as costas do banco.

Na questão habitabilidade, o crescimento das dimensões do Tiguan surtiram efeito, sendo o modelo alemão o mais espaçoso do trio, quer em altura, quer em espaço para os joelhos de quem se senta atrás. Claro que em muito ajuda o facto do banco pode ser regulado longitudinalmente. Segue-se o 3008, que também tem cotas muito boas e só perde em espaço para pernas, e só depois o Tucson, cujo espaço atrás é o mais estreito deste trio, ainda que na prática três ocupantes não se sintam verdadeiramente apertados.

Na lista de recheio, e colocando de lado os equipamentos de segurança mencionados anteriormente, Peugeot e Hyundai acabam por se destacar. O primeiro traz jantes de 18”, faróis em LED, tejadilho panorâmico e bancos num misto de pele e tecido, enquanto o segundo contempla os bancos em pele elétricos e aquecidos à frente e os faróis em LED, dispositivo também incluído nos opcionais do VW. Os três dispõem de sistemas de navegação, câmaras de estacionamento traseiras, sensores de estacionamento, sensores de luz e chuva, entre outros. A avaliar a qualidade, impõe dizer que o equilíbrio volta a conquistar pontos. O Hyundai tem bons acabamentos ao nível do forro do tejadilho e dos pilares, mas a solidez geral é inferior à de VW e Peugeot. No modelo francês, os revestimentos macios são exaustivos e os apontamentos cromados agradam muito. No SUV alemão, existem bons materiais, revelando-se muito sólido e bem montado.

A rolar...

Em ação, o Peugeot é o mais ágil. Tem a melhor disponibilidade do motor em baixo regime. No Hyundai, a fluidez pelo trânsito fica uns furos abaixo, enquanto no VW este tipo de condução é comprometido pela maior dificuldade que este motor apresenta em situações de arranque. O 3008 é também muito confortável. A relação comportamento/conforto é das melhores do segmento, mesmo com jantes de 18”, um feito ainda mais difícil de alcançar. O Tucson é mais firme, até porque nesta versão Premium contempla jantes de 19”, todavia sem desiludir. O VW, apesar das jantes de 17”, também não consegue ser tão confortável como o Peugeot.

Bem instalado no seu posto de comando, o condutor pode partir à descoberta das potencialidades dinâmicas do 3008. O motor 1.6 BlueHDI de 120 cv mantém neste formato um desempenho honesto e cumpridor. Isto porque permite desenvolver um ritmo interessante, chegando com relativa facilidade a velocidades estáveis. O Hyundai tem uma direção homogénea (tem dois modos de assistência, mas não servem de muito) e também consegue uma ação dinâmica rigorosa e muito segura, mas não chega a ser tão interativo como o Peugeot, ainda que possua o ESP mais permissivo. O Tiguan não desilude, até porque também é previsível, mas tem o motor mais esforçado, pois sempre que se pede um pouco mais de energia, esta unidade não consegue esconder o esforço e acaba por “suplicar” por uma relação mais baixa. Num andamento limite, é menos eficaz dinamicamente face aos rivais e sofre de algumas perdas de tração. É ainda o que perde mais trajetória, sem que o ritmo seja excessivo. Quando a questão que se coloca diz respeito à agilidade do motor, as diferenças aparecem. Nas acelerações, o Peugeot é o mais rápido, contudo as diferenças são na ordem das décimas de segundo. Nas recuperações também se destaca, sendo o Tiguan o mais lento por culpa de uma caixa de relações mais longas e também pelo facto de ser o mais pesado. Embora por pouco, os melhores valores de consumo pertencem aos 5,8 l/100 km do Peugeot, seguidos de 6 litros no VW e 6,3 litros no Hyundai. O modelo alemão paga mais IUC pelo facto de as emissões suplantarem as 120 g/km de CO2.

Em jeito de conclusão, fica a prova de que o novo 3008 se mantém como a referência no segmento e mesmo perante um VW com motor equivalente consegue sair vencedor. O Tiguan não foi “feito” para este bloco. A diferença entre o 1.6 TDI e o 2.0 TDI neste modelo é muito evidente. O Hyundai é um SUV apelativo que aposta forte na garantia, na oferta das manutenções durante cinco anos e no equipamento de série, bem como se assume como surpresa pela positiva na avaliação do comportamento dinâmico.

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