No golfe a expressão “hole in one” representa o acertar no buraco com uma única pancada. No primeiro desafio que enfrenta, será o Golf 1.6 TDI capaz da jogada perfeita. O Focus 1.6 TDCI e o Astra 1.7 CDTI vão tentar certificar-se de que isso não acontece.

Com quase 30 milhões de unidades vendidas e uma carreira comercial invejável, o Golf já alcançou um estatuto inegável no seio da indústria automóvel e não será exagero afirmar que a chegada de uma nova geração é sempre um verdadeiro acontecimento. Não só pela expectativa criada nos potenciais clientes como na ansiedade provocada na concorrência. Com a 7ª encarnação do Golf não é, nem podia ser, diferente. Este é, juntamente com o Clio, o lançamento do ano e depois do minucioso teste da semana a que sujeitámos o Golf 1.6 TDI, o que todos querem saber é de que forma as anunciadas mais valias do VW fazem mesmo a diferença perante dois dos mais temidos adversários.

O Astra 1.7 CDTI preparou-se para o acontecimento vestindo-se a rigor com um traje novo. Numa clara tentativa de retirar algum protagonismo ao seu arquirrival, a Opel operou um ligeiro rejuvenescimento no pequeno familiar. Assim, o “novo” Astra recebeu faróis escurecidos, uma grelha redesenhada com uma barra cromada e os faróis de nevoeiro passaram a estar isolados. As aplicações cromadas são extensíveis à secção traseira que também viu a zona onde está colocada a matrícula ser “esculpida” de forma diferente. No interior as diferenças são ainda mais subtis, resumindo-se às novas cores, tecidos e texturas.

O Focus 1.6 TDCI é outro dos grandes rívais do Golf sendo, tradicionalmente, o alvo a abater quando falamos de eficácia dinâmica. Apesar de estar mais “maduro” e racional (já nem permite desligar totalmente o ESP), o Focus continua a ser uma das propostas mais eficazes do segmento, com uma relação conforto/comportamento difícil de igualar e ainda mais de bater. Era por isso, com natural curiosidade, que queríamos perceber até que ponto a nova plataforma MQB do Golf (bastante mais rígida e, neste caso, ligeiramente mais leve) conseguia acompanhar o andamento do Focus e do Astra. Até porque, não é demais relembrar, nas versões de acesso o Golf substitui a suspensão multibraços por uma mais “simples” e barata barra de torção. Atenção que esta solução não é, logo à partida, menos válida, como o prova o Astra que não tem uma suspensão independente atrás e é, também ele, muito bem comportado.

Em andamento, especialmente em circuito urbano, não ficámos totalmente convencidos pelo conforto a baixa velocidade do Golf. A enorme solidez da estrutura e a refinada condução do VW dilui boa parte do efeito, mas é evidente uma maior firmeza da suspensão em irregularidades como tampas de esgoto, juntas de dilatação ou em mudanças bruscas de piso. Esta sensação desaparece por completo a alta velocidade, com o Golf a digerir as lombas e os desníveis com uma facilidade desconcertante. A ideia que prevalece é que, mais do que à suspensão traseira, a “culpa” pode ser atribuida à taragem mais firme das molas utilizadas nesta geração.

O Astra padece do mesmo problema, com a agravante de os bancos (por sinal bem desenhados) serem também eles firmes. Para piorar o cenário no caso do Opel, as jantes de 17” com pneus 225/50 também não ajudam a suspensão a contrariar os efeitos demolidores de algumas das nossas estradas.

O Focus também tem jantes de 17” (com pneus 215/50), mas consegue ser tão confortável como o Golf, o que nos deixa a pensar que, com as jantes de 16” propostas de série, pode muito bem bater o VW neste campo.

No ponto em que o Golf é imbatível é no refinamento da condução. O motor 1.6 TDI é o menos potente dos três (105 cv), mas está bem insonorizado e, nesta última evolução, muito mais solícito a baixos regimes. Mesmo nas prestações, o maior handicap acaba por ser a longuíssima caixa de cinco relações. Ainda assim, os 11,1 segundos nos 0 a 100 Km/h não envergonham ninguém... Por outro lado, os consumos são verdadeiramente invejáveis. Para se ter uma ideia da superioridade do Golf neste campo, basta dizer que, em cidade, o VW gasta menos 1,3 l/100 Km do que o Opel e 1,4 l/100 Km do que o Ford, o que deixa a média ponderada do VW abaixo dos 5 l/100 Km. Notável!

Já o Focus e o Astra fazem um jogo muito igual, tanto nas prestações como nos consumos. Ao melhor nível
Outro item no qual o Golf se mostra imbatível é na qualidade geral. Se formos picuinhas, podemos apontar exemplos de retrocesso como os plásticos rijos utilizados no topo superior das portas traseiras, mas na prática é inegável que o sentimento geral é de um grande apuro qualitativo. Aliás, não fica a dever muito aos chamados “premium”.

Como é habitual, a marca de Wolfsburg premiou a função em detrimento da forma, optando por linhas simples e soluções comprovadas. Ainda assim, detalhes como o ecrã sensível ao toque com sensor de proximidade acabam por marcar a diferença. O interior do Ford e do Opel são mais exuberantes, com inúmeros botões, comandos e funções distintas, mas qualquer um deles obriga a um período de adaptação para que as seleções sejam feitas sem desviar, em demasia, os olhos da estrada.

Curiosamente, apesar de ser o mais curto dos três por uma larga margem, o Golf anuncia a maior capacidade de mala do trio e joga de igual para igual na habitabilidade, destacando-se na largura atrás. Mais uma vantagem da plataforma MQB...

Igualmente curiosas são as diferentes políticas das marcas no que diz respeito às manutenções. A VW é a única que estende as revisões a intervalos de 30 mil quilómetros ou dois anos. A Opel também refere intervalos de manutenção de 30 mil Km, mas reduz o prazo para apenas 1 ano. O Ford é o mais exigente com as manutenções, já que obriga a ir às oficinas da marca anualmente ou a cada 20 mil quilómetros.

Este argumento, juntamente com o preço de combate, os consumos recordistas e o maior valor de retoma, dão ao Golf uma supremacia na economia que acaba por se revelar decisiva neste embate. Utilizando uma expressão do golfe, o outro: a VW conseguiu um verdadeiro “hole in one”. Com uma pancada certeira, acertou em cheio e bateu a principal concorrência.  

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