Com o Avensis 2015, a Toyota dá provas de reforçar a confiança na Europa. Para além de ser feito na mesma linha de produção do Auris, em Inglaterra, o modelo do segmento D da Toyota herda da BMW uma dupla de motores Diesel da qual este 1.6 D-4D será o mais vendido. Primeiro teste ao novo Avensis de 112 cv em solo nacional.

À parte os desportivos, que são cada vez menos na marca japonesa, o Avensis é um dos bons produtos da Toyota. Recentemente remodelado, num rol de alterações que rondou os 1400 componentes, quer estar apto a lutar de igual para igual contra os generalistas europeus. Posicionado no segmento D, onde concorrem, entre outros, VW Passat, Opel Insignia, Peugeot 508 ou Ford Mondeo, o Avensis tem o seu “cantinho”, com 14% de quota no segmento D, um pedaço do bolo total do mercado que em Portugal representa 9,5% das vendas, sendo que 65% são feitas a frotas de empresas. Portanto, segundo a Toyota, existe potencial para crescer. Como grande parte das vendas destes 9,5% do mercado são veículo equipados com motorizações 1,7 litros ou inferiores, a Toyota não quis perder o comboio e adquiriu à BMW dois motores Diesel que prometem fazer muito pela subida das vendas do modelo. Trata-se do 1.6 D-4D de 112 cv e do 2.0 D-4D de 143 cv.

Foi precisamente o primeiro bloco, aquele que será mais relevante para o mercado, que tivemos oportunidade de conduzir em estradas lusas. A versão ensaiada é uma carrinha, Touring Sports, no nível de equipamento Exclusive cujo preço começa nos 33 990 euros e que já disponibiliza uma lista de equipamento muito completa, onde não falta praticamente nenhum elemento de conforto ou de segurança.

Neste teste focámo-nos essencialmente no bloco 1.6 D-4D de 112 cv que conta com um sistema de controlo da injeção com regulação eletrónica digital, que ajusta a injeção de combustível em função do regime do motor, da carga e da temperatura. O “novo” motor está associado a uma caixa manual de seis velocidades, muito precisa e direta q.b.

Motor Diesel refinado

Trata-se de um motor muito refinado e pouco audível, num grande trabalho de insonorização feito pela Toyota, que conseguiu, não só que o ruído do motor não chegue ao habitáculo, como tornar o sistema “stop/sart” menos brusco na sua ação de funcionamento (ao contrário do que sucede nos BMW). Falta-lhe algum ímpeto em regimes mais baixos, mas convém admitir que não é tarefa fácil mover os mais de 1600 kg da Touring Sports. O binário de 270 Nm disponível numa faixa plana entre as 1750 e as 2250 rpm acaba por prestar algum auxílio, mas não é fácil fazer a carrinha Avensis progredir de forma célere desde rotações mais baixas sem o recurso constante à caixa de velocidades. Recuperar com a sexta engrenada na zona das 1700 rpm, assume-se como tarefa difícil.

A direção ganhou em precisão e assistência no ponto neutro, mas ainda não está ao nível das melhores rivais. No capítulo dos consumos, a carrinha japonesa está um pouco distante dos valores anunciados. Em condições reais de circulação em ambiente urbano, a média de consumo não consegue baixar dos 7,0 l/100 km, um valor um pouco elevado, resultado da necessidade de usar muito a caixa de velocidades, suficiente para lhe aumentar o apetite. Em percursos de autoestrada e de estrada nacional a velocidades estabilizadas, os gastos de combustível melhoram e, neste caso, já se conseguem aproximar dos valores anunciados pela Toyota.

O chassis e a suspensão receberam uma série de alterações. Ao empregar uma elevada percentagem de aços de alta resistência, a sua rigidez aumentou. Para beneficiar o conforto, foram instalados novos apoios no eixo traseiro com superior capacidade para se deformarem de forma programada. Ainda assim, a carrinha Avensis está longe de ser empolgante de conduzir, ainda que faça “tudo” de forma natural e muito correta. É composta e competente.

Para reforçar a dose de conforto, a marca japonesa redesenhou os bancos dianteiros que surgem mais envolventes, mas a posição de condução continua demasiado elevada, e ocupantes de maior estatura acabam por ficar com a cabeça muito próxima do tejadilho, originando uma sensação de claustrofobia. Nos lugares traseiros, há a destacar o espaço mais que generoso para as pernas e um volume de bagageira que pode variar entre os 543 e os 1630 litros. 

Este é um reforço importante para a Toyota no mercado de frotas. O objetivo de crescer nas vendas permanece válido e a versão 1.6 D-4D tem potencial para ajudar neste objetivo, principalmente se considerarmos a relação preço/equipamento e a imagem de fiabilidade que a marca japonesa ainda granjeia no mercado.

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